Antes de qualquer coisa, quero dizer que não pretendo comparar os dois santos citados no título desta reflexão, dado que ambos viveram realidade bem diferentes. Mais do que isso, quero juntar em um único texto a grandeza destes dois homens. De fato não caberá todos os feitos que Deus prodigiosamente realizou na vida de cada um deles, mas tenho apenas a intenção de abrir o caminho.
No primeiro texto que escrevi, o texto chamava a continuidade refletindo sobre as Virtudes Teologais, mas antes de trazê-las para este blog, refletiremos juntos com Francisco e Paulo, ardorosos seguidores de Cristo, e grandes difusores do evangelho.
O CAMINHO
O caminho sempre foi o lugar da conversão. Jesus caminhava as margens do mar da Galiléia, e lhes seguem os filhos de Zebedeu. Felipe descia de Jerusalém em direção ao Sul, e apresenta Jesus a um servo da Rainha da Etiópia. Saulo caminha rumo a Damasco, Jesus lhe aparece em visão e mais do que rapidamente muda de caminho, e na rua Direita é batizado, e assim recebe o Espírito Santo e começa a evangelizar.
Francisco caminha para as cruzadas, o Senhor lhe aparece em visão e o pergunta qual é o verdadeiro Senhor a que se deve servir. O caminho levou tantos homens a Deus, mas não vamos simplesmente nos prender ao caminho enquanto espaço físico, mas consideremos também o caminho enquanto espaço que a alma percorre a procura da verdade cravada em Deus. O caminho transcende o que a palavra transmite simplesmente, e se torna o lugar do acontecimento.
Imagino que esse foi o motivo que levou estes dois santos a sempre estarem caminhando. Sabemos que sempre estavam viajando, e suas viagens sempre empreenderam e resultaram em grande difusão do evangelho. Aquele ditado que diz que o melhor da viagem é o caminho, torna-se realidade ao tomar conhecimento da vida destes homens. São coisas que podemos experimentar também em nossas vidas, percorrendo o caminho transcendental que leva ao Cristo.
Vidas que tomadas pelo mão quando estavam a caminho, se entregam por completo na missão que lhes é empregada pelo evangelho. A fidelidade ao evangelho faz com que esses dois homens deem cada um a seu modo, um novo rosto a Igreja de Jesus. Paulo modela os princípios da Igreja Primitiva, junto aos demais apóstolos. Séculos depois Francisco de Assis redescobre o evangelho e as ideologias das primeiras comunidades cristãs, muitas delas fundadas por Paulo ou seus companheiros. Os cristãos tinham tudo em comum, e estavam abertos a todos que quisessem aderir a Jesus. Sempre foi esse o pensamento da Igreja, mas em Francisco tudo isso ganha novo vigor. O retorno às origens.
Num tempo muito a frente dos que viveram estes santos homens, somos chamados a redescobrir a mensagem do evangelho, redescobrir o caminho da rua Direita, fazer novamente o caminho que leva a Apúlia, mas em Espoleto mesmo decidir o verdadeiro caminho.
E talvez o mais importante seja ter sempre em mente uma frase de Paulo, muito usada por Francisco, que deve impregnar nosso pensamento:
"Senhor, que queres que eu faça?"
Esta é a duvida que pôs estes homens a caminho. Atreva-te indagar-se também!
Na próxima semana, enfim vamos refletir sobre as Virtudes Teologais!!
Mateus Agostini Garcia
Secretário Fraterno Local
Antes de ser frade ou religioso, Francisco de Assis foi jovem! O desafio da JUFRA é ser a jovem semente franciscana hoje! Paz e bem
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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
O Apóstolo Paulo
"Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho!" (ICor 9,16)
De grande perseguidor dos cristãos, Paulo se torna o maior difusor do evangelho no primeiro século da era cristã. No episódio da viagem a Damasco, ele se depara com o Cristo ressuscitado, e fica cego. Não era simplesmente uma cegueira fisíca, sua alma estava na escuridão e completamente fechada ao que acabara de ver e ouvir. Era preciso ser purificado, e quando é batizado pelo profeta em Damasco, recobra visão.
Paulo não experimentou um processo longo e demorado de conversão, ele viveu um grande momento em sua vida que foi suficiente para mudar sua posição. Não mudou tão rápido porque era fraco, mudou porque aquela mensagem foi clara demais sobre qual era o verdadeiro salvador.
Tomando o caminho certo, Paulo se torna grande anunciador do evangelho, e é responsável por levar o cristianismo para fora da Palestina. O cristianismo em Paulo ganha proporções estrondosas. Vejo que a mesma força que tinha na perseguição implacável aos cristãos, agora é colocada completamente a serviço da difusão do evangelho. Paulo pregou, operou milagres, sofreu perseguição, em algumas vezes dos próprios cristãos, mas perseverou até o fim.
A importância de Paulo no início da Igreja está no grande anuncio do evangelho, mas também na nova organização que vai dando aos cristãos. A circuncisão era um grande dilema da época, e segundo a carta aos Gálatas, levou até a uma certa discussão entre Pedro e Paulo, mas Paulo afirma que esse já não era um ritual necessário. A circuncisão para o judeu, era como o batismo para os cristãos, o meio pelo qual se era introduzido a fé. E os judeus que aderiam ao cristianismo julgavam necessário que os pagãos convertidos deveriam se circuncidar. Paulo responde a questão com maestria, pois a salvação mediante o seguimento da lei era um costume judeu farisaico, e de fato a salvação estava e está, simples e somente na fé em Jesus Cristo.
Paulo responde a questões que até mesmo os discípulos que tinham convivido com Jesus tinham certa dificuldade em responder.
Nas várias cartas que escreveu, algumas ainda que contestadas por historiadores como sendo de sua autoria, trazem grandes ensinamentos para a fé cristã. São cartas que amenizam conflitos e dão luz a várias questões sociais e políticas como para a comunidade de Corinto; que derrubam diferenças como na carta aos Romanos; quem afirmam a realeza e soberania de Jesus como na carta aos Colossenses e que promovem perdão e liberdade, como na pequena carta a Filêmon. As cartas em si não trazem tantas mensagens que se tenha ouvido dos evangelhos, mas apontam como vivê-lo em plenitude, dão pistas de seguimento fiel ao Cristo, iluminam o caminho para se chegar ao evangelho.
Paulo na primeira carta a comunidade de Corinto compõe um belíssimo texto no capitulo 13, exaltando e enaltecendo o amor, ao mesmo tempo que ensina como amar. Amor que é a base do cristianismo que pregou. Amor que pura e simplesmente constrói comunidade de vida e partilha e leva a salvação.
Não vou transcrever aqui o texto todo, deixo um convite a você leitor que pegue sua Bíblia e leia, saboreie e aproveite dessa belíssima mensagem, que virou tema de músicas e poesias.
Vou me ater somente ao último versículo: "Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade."
Aqui se compõem as virtudes teologais, que vindas de Deus guiam os homens para retornarem a Ele. Mas este é um assunto para os próximos textos.
Como convite, gostaria que cada um de vocês lessem ao menos uma carta de Paulo, um tesouro imenso para toda a Igreja, e na próxima quinta feira continuaremos nossa reflexão. Até lá!
Paz e Bem
Mateus Agostini Garcia
Secretário Fraterno Local
De grande perseguidor dos cristãos, Paulo se torna o maior difusor do evangelho no primeiro século da era cristã. No episódio da viagem a Damasco, ele se depara com o Cristo ressuscitado, e fica cego. Não era simplesmente uma cegueira fisíca, sua alma estava na escuridão e completamente fechada ao que acabara de ver e ouvir. Era preciso ser purificado, e quando é batizado pelo profeta em Damasco, recobra visão.
Paulo não experimentou um processo longo e demorado de conversão, ele viveu um grande momento em sua vida que foi suficiente para mudar sua posição. Não mudou tão rápido porque era fraco, mudou porque aquela mensagem foi clara demais sobre qual era o verdadeiro salvador.
Tomando o caminho certo, Paulo se torna grande anunciador do evangelho, e é responsável por levar o cristianismo para fora da Palestina. O cristianismo em Paulo ganha proporções estrondosas. Vejo que a mesma força que tinha na perseguição implacável aos cristãos, agora é colocada completamente a serviço da difusão do evangelho. Paulo pregou, operou milagres, sofreu perseguição, em algumas vezes dos próprios cristãos, mas perseverou até o fim.
A importância de Paulo no início da Igreja está no grande anuncio do evangelho, mas também na nova organização que vai dando aos cristãos. A circuncisão era um grande dilema da época, e segundo a carta aos Gálatas, levou até a uma certa discussão entre Pedro e Paulo, mas Paulo afirma que esse já não era um ritual necessário. A circuncisão para o judeu, era como o batismo para os cristãos, o meio pelo qual se era introduzido a fé. E os judeus que aderiam ao cristianismo julgavam necessário que os pagãos convertidos deveriam se circuncidar. Paulo responde a questão com maestria, pois a salvação mediante o seguimento da lei era um costume judeu farisaico, e de fato a salvação estava e está, simples e somente na fé em Jesus Cristo.
Paulo responde a questões que até mesmo os discípulos que tinham convivido com Jesus tinham certa dificuldade em responder.
Nas várias cartas que escreveu, algumas ainda que contestadas por historiadores como sendo de sua autoria, trazem grandes ensinamentos para a fé cristã. São cartas que amenizam conflitos e dão luz a várias questões sociais e políticas como para a comunidade de Corinto; que derrubam diferenças como na carta aos Romanos; quem afirmam a realeza e soberania de Jesus como na carta aos Colossenses e que promovem perdão e liberdade, como na pequena carta a Filêmon. As cartas em si não trazem tantas mensagens que se tenha ouvido dos evangelhos, mas apontam como vivê-lo em plenitude, dão pistas de seguimento fiel ao Cristo, iluminam o caminho para se chegar ao evangelho.
Paulo na primeira carta a comunidade de Corinto compõe um belíssimo texto no capitulo 13, exaltando e enaltecendo o amor, ao mesmo tempo que ensina como amar. Amor que é a base do cristianismo que pregou. Amor que pura e simplesmente constrói comunidade de vida e partilha e leva a salvação.
Não vou transcrever aqui o texto todo, deixo um convite a você leitor que pegue sua Bíblia e leia, saboreie e aproveite dessa belíssima mensagem, que virou tema de músicas e poesias.
Vou me ater somente ao último versículo: "Por ora subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém, a maior delas é a caridade."
Aqui se compõem as virtudes teologais, que vindas de Deus guiam os homens para retornarem a Ele. Mas este é um assunto para os próximos textos.
Como convite, gostaria que cada um de vocês lessem ao menos uma carta de Paulo, um tesouro imenso para toda a Igreja, e na próxima quinta feira continuaremos nossa reflexão. Até lá!
Paz e Bem
Mateus Agostini Garcia
Secretário Fraterno Local
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
O “CÚMULO” DA OUSADIA
Em tempos de pós modernos, tudo é muito comum e rotineiro. A sociedade avança a passos largos em alguma direção que talvez não se conheça. Mas não pretendo falar do comum e rotineiro, mas daqueles que vão além do que todo mundo faz. Pra fazer o que sete bilhões de pessoas fazem, nós já temos sete bilhões fazendo. A figura desse texto é aquele um que faz diferente.
Esta reflexão surge a partir da liturgia deste domingo, em que a Igreja celebra TODOS OS SANTOS, e a pergunta que me faço é: Como ser santo?
Foi daí que ouvi, por acaso, minha avó assistindo a missa pela televisão, e a única palavra que ouvi o padre dizer foi, OUSADIA. Eu nem sei se ele falava o evangelho, mas neste momento eu escutei a resposta da minha pergunta.

Para alcançar a santidade, não basta somente participar da missa aos domingos, ouvir o evangelho, guardar ele na memória, principalmente pra responder quando o padre perguntar no domingo seguinte: “Qual era o evangelho do último domingo?” Praticar algumas coisas de tudo isso que aprendeu, ajudar um mendigo, fazer uma boa ação, tantas outras coisas que fazemos, nós e uma boa parcela destes 7 bilhões que nunca foram a missa e nem se preocupam qual era o ultimo evangelho.
Quando vemos os santos que foram canonizados pela Igreja, constatamos grandes histórias de escolhas radicais pelo Cristo, de santos que foram até a morte defendendo sua fé, que foram, e tantos ainda são perseguidos pela sua fé.
Antes de qualquer coisa, de fazer tudo que fizeram, foram pessoas dos “bilhões”, mas não se contentaram e ousaram viver Deus mais de perto.
Estamos no século 21, ouvindo o beato João Paulo II ainda dizendo, que precisamos de santos de calça jeans. Numa época onde todos usam calça jeans, desde padres e freiras aos leigos e leigas das mais variadas idades. E todos nós, usuários de calças, somos chamados a ousar um pouco mais.
Para ser santo, precisa ser ousado, não seremos santos se continuarmos nos conformando com o pouco; e como já disse uma irmã em um outro texto publicado neste blog, “a comodidade religiosa”é a grande inimiga da santidade. Nesse estado de stand-by onde achamos que fazemos muito, não ousamos ousar um pouco mais.
Aqueles que hoje reconhecemos como santos, chegaram ao auge da ousadia. Foram muito além de um simples cristão bonzinho de domingo. E quando achamos que isso é privilégio só de alguns, devemos lembrar que o Espírito Santo desceu para iluminar a todos, e é ele que dá a coragem aqueles que ousam pedir, e ousam viver de novo o evangelho.
Foi daí que ouvi, por acaso, minha avó assistindo a missa pela televisão, e a única palavra que ouvi o padre dizer foi, OUSADIA. Eu nem sei se ele falava o evangelho, mas neste momento eu escutei a resposta da minha pergunta.

Para alcançar a santidade, não basta somente participar da missa aos domingos, ouvir o evangelho, guardar ele na memória, principalmente pra responder quando o padre perguntar no domingo seguinte: “Qual era o evangelho do último domingo?” Praticar algumas coisas de tudo isso que aprendeu, ajudar um mendigo, fazer uma boa ação, tantas outras coisas que fazemos, nós e uma boa parcela destes 7 bilhões que nunca foram a missa e nem se preocupam qual era o ultimo evangelho.
Quando vemos os santos que foram canonizados pela Igreja, constatamos grandes histórias de escolhas radicais pelo Cristo, de santos que foram até a morte defendendo sua fé, que foram, e tantos ainda são perseguidos pela sua fé.
Antes de qualquer coisa, de fazer tudo que fizeram, foram pessoas dos “bilhões”, mas não se contentaram e ousaram viver Deus mais de perto.
Estamos no século 21, ouvindo o beato João Paulo II ainda dizendo, que precisamos de santos de calça jeans. Numa época onde todos usam calça jeans, desde padres e freiras aos leigos e leigas das mais variadas idades. E todos nós, usuários de calças, somos chamados a ousar um pouco mais.
Para ser santo, precisa ser ousado, não seremos santos se continuarmos nos conformando com o pouco; e como já disse uma irmã em um outro texto publicado neste blog, “a comodidade religiosa”é a grande inimiga da santidade. Nesse estado de stand-by onde achamos que fazemos muito, não ousamos ousar um pouco mais.
Aqueles que hoje reconhecemos como santos, chegaram ao auge da ousadia. Foram muito além de um simples cristão bonzinho de domingo. E quando achamos que isso é privilégio só de alguns, devemos lembrar que o Espírito Santo desceu para iluminar a todos, e é ele que dá a coragem aqueles que ousam pedir, e ousam viver de novo o evangelho.
Sempre costumamos dizer que pessoas ousadas conseguem o que querem, e convém também começarmos a acreditar e dizer, que ser santo também é ser ousado. É ousar fazer um pouco mais, quando todo mundo diz “bem eu já fiz a minha parte”; é ousar um pouco mais quando alguém diz “tudo que podia ser feito, já foi feito”; é ousar um pouco mais quando todo o resto já perdeu a esperança e acreditar que ainda existe algo que pode ser feito pelo bem do outro.

Ser santo é sinônimo de ousadia! Quando entrarmos a próxima vez na Igreja e virmos a imagem de algum santo com suas vestes longas, pensemos no quanto ele foi ousado para viver a sua fé. E para que não haja dúvida, pesquise a história de algum santo de sua preferência, ou analise alguma já conhecida. E perceba que tirando a época que ele viveu e talvez o país, a única diferença entre você e ele, é que ele não usava calça jeans.
OUSE SER SANTO!
Mateus Agostini Garcia
Secretário Fraterno Local
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