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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Na Eucaristia

E não será possível explicar em qualquer que seja a humana forma de descrever fatos ou ideias, aquilo que de fato é o tema de hoje!
NA EUCARISTIA!

Realmente, o dicionário define eucaristia como "ação de graças", mas Eucaristia enquanto Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, serão sempre fatos sem uma explicação humana.
Por mais que se tente definir como o alimento da alma,pão dos anjos, alimento perfeito, sagrada refeição, estas serão apenas definições humanas daquilo que é visível aos olhos, através da comunhão eucarística que como disse Francisco de Assis, "nasce diariamente pelas mãos do sacerdotes no sacrifício do altar".

Aquilo que nós vemos, realmente é possível explicar, é algo que todos veem, e em comunidade se sente e participa. Mas continuará eternamente sem resposta, o que acontece no mais profundo do 'eu' humano, ao participar do banquete da eucaristia. A celebração eucarística, enquanto celebração publica dos mistérios da fé, guarda em profundo silêncio o que ela proporciona a cada indivíduo que participando, comunga de Jesus eucarístico. É Deus que desce do céu, se transubstancia no altar, e desce novamente as escadas do altar para nos encontrar no meio da assembleia. Ai começa toda a parte mística e inexplicável de um mistério fascinante. As palavras nunca serão suficientes para explicar o que acontece depois disso, é algo que cada um experimenta particularmente, e somente a alma pode responder a si mesmo a grandiosidade deste momento. A intensidade com que acontece tais fatos são imensuráveis. Se alguém é interrogado sobre o que é comungar o Corpo de Cristo, ouviremos respostas do tipo que é um ânimo novo, que se restabelece suas forças, e de fato é isso tudo, mas vai além de tudo isso. Ao ouvir estas respostas, você mesmo percebe que não é só isso, que é muito mais.
E outros irão de delongar em explicar o que acontece e novamente ainda não será o que de fato. Não conseguiremos uma resposta fechada, e com todas as respostas, e outros continuaram escrevendo, usaram analogias e continuaremos sentindo a falta de algo.
Desde aquela última ceia, até agora neste instante, onde em algum lugar do planeta Jesus desce ao pão, a Eucaristia continua a fazer e realizar aquilo que não se consegue explicar. Foi o alimento de Pedro, de Paulo, de Estevão, Barnabé, Tiago, Lucas, Maria Madalena, João, de Maria, - aquela que primeiro gerou este alimento, Marcos, Timóteo, Tito, Judas, Francisco, Clara, Rosa, Isabel, Luis, Rita, Catarina, Sebastião, Geraldo, Serapião, Maximiliano, Bruno, Benedito, Galvão, Karol Wojtyla...

Este texto encerra a sequência de "Francisco de Assis: Uma bomba atômica na Idade Média", cujo último tema como perceberam foi eucaristia, mas só será possível entender o valor e o poder da eucaristia na vida de Francisco, ao começar a compreender o que ela pode causar na vida de cada um, mas isso não seria possível escrever. Como maneira de tentar desvendar tais mistérios, somos chamados a olhar para a vida de tantos santos e santas da Igreja, não somente para aquilo que escreveram e a traça corrói, mas para aquilo que suas almas expuseram através da vida e que dinheiro nenhum compra, ciência nenhuma explica e palavra nenhuma descreve.

Eucaristia não faz isso ou aquilo. É como Deus na sarça ardente enviando Moisés a libertar o povo da escravidão do Egito:

"EU SOU aquilo que sou!"
Ex 3,14

E nada mais.



Mateus Agostini Garcia
Secretário Fraterno Local

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O silêncio ensurdecedor do calvário

Tambores...

Gritos...

Gemidos...

Passos...

Choros...

Eram tantos os barulhos que acompanhavam Jesus no seu caminho de suplício da cruz, que poucos pararam, conseguiram ouvir, ou mesmo prestar atenção naquilo que o próprio Cristo dizia.

Eram pessoas que zombavam de Jesus, outros que choravam por ele, outros ainda que apenas acompanhavam e bagunçavam por impulso da maioria. Um caminho longo e dolorido, cheio de quedas, de tropeços, mas sobretudo de reerguimentos.


De todas as quedas, a que pendeu com o último suspiro, fez também o céu chorar.
De todos os reerguimentos, o que decorreu da última queda, fez todo o universo se alegrar. A salvação havia chegado e acontecido na vida do povo.

Durante todo esse caminho, Jesus caminha calado, se fala e quando fala é muito breve. Mas é naquele silêncio que mais ensinou, mas quase ninguém ouviu. O barulho não deixava que se ouvisse o verdadeiro clamor que trazia o cordeiro naquele caminho. Um silêncio que por mais paradoxo que seja, ensurdecia aos que conseguiam sentir.
Francisco de Assis, não viu Cristo no penoso caminho da cruz, mas ouviu sua mensagem silenciosa do calvário, e assumiu sobre si aqueles ensinamentos, sobretudo da pregação que no silêncio das palavras, fala pelos gestos. Homem de sábias palavras, e de nobres atitudes.
Comoveu e cativou homens de seu tempo e do nosso, pela mensagem evangélica que viveu. Amou o Cristo pobre e crucificado, viveu pelos caminhos do pobre, nas trilhas da extrema pobreza, e dois anos antes de morrer fora crucificado, não na cruz, mas no corpo e na alma.

Experimentou assim, o suplício doloroso do calvário, trazendo no corpo as marcas da crucifixão e na alma o mesmo amor que Cristo sentiu pela humanidade. Na vida, foi mensagem silenciosa de minoridade, de humildade, de submissão consciente. Os barulhos que o mundo fazia ao seu redor, com espadas, guerras e hipocrisia, abafaram seu testemunho, mas não impediu  que fosse ouvido por aqueles que sabem ouvir o silêncio.
De todos os sons e barulhos que aconteceram no caminho da cruz, o silêncio é o que mais incomoda, talvez pela certeza de que seja o único a falar algo importante e verdadeiro no momento.

Mateus Agostini Garcia
Secretário Fraterno Local

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Cores de Manjedoura


Não houve uma melhor data para se comemorar o nascimento de Cristo. Ninguém sabe ao certo o dia exato em que nasceu o Salvador da humanidade, mas convencionou-se o dia 25 de dezembro, dia em que os pagãos celebravam o nascimento do sol. E para os cristãos o nascimento de Cristo também é o nascimento do sol, que traz em si todas as cores.
Quando em Belém nasceu Jesus, o sol se ofuscou diante de tanto brilho, e durante a noite não houve trevas. O brilho partia de um lugar simples, junto de alguns animais, na pequenina Belém. Já pequenino o menino iluminava muito, refletia luzes que davam brilho a vida e ao rosto das pessoas. Cores que enobreciam o lugar e os lugares por onde passava, e levavam alegria aos que se achegavam. Não houve nascimento mais luminoso e festivo que aquele. Não tinha o brilho do ouro, nem da prata, não tinha roupas finas, nem ornamentos rebuscados, não tinha nada, possuía apenas aquele brilho que fulgurava com o nascimento do sol.
Imaginem a vida sem o sol!

Como canta o salmo: “O vigia espera o sol, eu espero meu Senhor!” Todos antes de Cristo viveram a esperança deste novo sol, e eis que ele veio, mergulhado na pobreza, para iluminá-la.

Mais ou menos 1200 anos depois...
Nasceu em Assis, Itália um menino chamado João, que depois passou a se chamar Francisco, como determinara o pai, para homenagear a França.

Francisco nasce, não com o mesmo brilho e graça do Cristo, mas quando se rompe para Deus, traz em si as cores que se via na manjedoura. Francisco, como já foi dito, foi como uma bomba na idade média, que não veio devastar nada, mas simplesmente iluminar. Trouxe consigo o brilho de Cristo menino de Belém. Espalhou pelo mundo a alegria destas cores, pela mensagem de sua própria vida que ecoou pelos cantos da Terra. No hábito marrom se podiam enxergar variadas cores nos irmãos que corriam, cantavam, louvavam a Deus na vida e na criação. Francisco, morador de Assis, veio para lembrar ao mundo e a Igreja quais eram as verdadeiras cores que se viam na manjedoura de Belém, e que eram delas que deveríamos nos revestir e também nossas Igrejas.
E finalmente a pergunta: que cores são essas?

Cores da paz ilimitada, da esperança eterna, no amor incondicional, da bondade desmedida, da justiça implacável, mas de misericórdia incomensurável, da liberdade universal, da alegria simples, da fé absoluta, da razão conciliadora...
Estas são algumas cores, só nos falta colorir o mundo com elas!


Para ler o texto que deu origem à esta série, acesse este link:
http://jufraleao.blogspot.com/2011/10/4-de-outubro.html

Para ler a primeira parte da série, acesse este link:
http://jufraleao.blogspot.com/2011/10/uma-bomba-atomica-em-plena-idade-media.html

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Uma bomba atômica em plena idade média?

Do sonho de ser o maior cavaleiro, Francisco se fez um menor servidor. Dessa pequenez, Deus o fez grande!



Não imagino que Francisco tenha desistido do sonho de ser cavaleiro, acredito que apenas descobriu por quem realmente deveria lutar, e quais armas deveria utilizar. Quando Cristo foi preso pelos soldados romanos, Pedro tira a espada da bainha, mas Jesus a manda guardá-la. Pedro se tornaria a base da Igreja, e não era a espada sua arma de luta, a cruz deveria acontecer. Vejo essa mesma imagem em Francisco de Assis, que não só guarda a espada, mas a abandona, se reveste de uma nova armadura e se lança na luta pela paz.


Francisco adotou para si a humildade, a simplicidade, a pobreza, a obediência e sobretudo a graça de Deus para transformar a si mesmo. Pode parecer até um pouco egoísta, mas este era seu sonho, viver o que Cristo lhe propunha e com carinho chamava a viver. Mas, “como Cristo que atrai tudo para si”, Francisco começa a chamar a atenção de vários a sua volta. Para alguns é mais um louco, para outros heresia, mas para aqueles que tem olhos e vêem, Francisco é evangelho e o evangelho é Cristo em Francisco.


Essas atitudes que Francisco assumiu para si, eram as únicas armas de que dispunha para a revolução do bem que começou. Foi com discurso manso, voz profética e atitudes silenciosas, que rompeu e preencheu corações, não de suas palavras, mas daquelas que o Espírito Santo lhe inspirava. Era essa sua atividade, anunciar o evangelho com as palavras e com a vida, e depois voltar ao recanto silencioso onde pudesse em silêncio rezar ao Senhor.


É com essa humildade e simplicidade que ele vai falar com o sultão na cruzadas, prega e instaura a paz entre as autoridades de Assis, e resolvia qualquer problema entre os irmãos de uma família grande e numerosa que começava a surgir. Eram essas coisas tão simples que fizeram de Francisco de Assis o homem que conhecemos hoje. Um homem que não almejava nada grandioso, queria ser um verme, desde que estivesse servindo ao seu Senhor, e isto bastava. Está sim foi a primeira bomba atômica da qual se tem notícia. Um pequeno átomo que já na idade média, rompia-se a si mesmo. E como acontece quando se divide um átomo, ocorre uma reação em cadeia, e depois que o primeiro átomo se divide, outro se divide, e depois outro, e outro, e outro...

Mateus Agostini Garcia
Secretário Fraterno Local
Fraternidade JUFRA frei Leão