quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O silêncio ensurdecedor do calvário

Tambores...

Gritos...

Gemidos...

Passos...

Choros...

Eram tantos os barulhos que acompanhavam Jesus no seu caminho de suplício da cruz, que poucos pararam, conseguiram ouvir, ou mesmo prestar atenção naquilo que o próprio Cristo dizia.

Eram pessoas que zombavam de Jesus, outros que choravam por ele, outros ainda que apenas acompanhavam e bagunçavam por impulso da maioria. Um caminho longo e dolorido, cheio de quedas, de tropeços, mas sobretudo de reerguimentos.


De todas as quedas, a que pendeu com o último suspiro, fez também o céu chorar.
De todos os reerguimentos, o que decorreu da última queda, fez todo o universo se alegrar. A salvação havia chegado e acontecido na vida do povo.

Durante todo esse caminho, Jesus caminha calado, se fala e quando fala é muito breve. Mas é naquele silêncio que mais ensinou, mas quase ninguém ouviu. O barulho não deixava que se ouvisse o verdadeiro clamor que trazia o cordeiro naquele caminho. Um silêncio que por mais paradoxo que seja, ensurdecia aos que conseguiam sentir.
Francisco de Assis, não viu Cristo no penoso caminho da cruz, mas ouviu sua mensagem silenciosa do calvário, e assumiu sobre si aqueles ensinamentos, sobretudo da pregação que no silêncio das palavras, fala pelos gestos. Homem de sábias palavras, e de nobres atitudes.
Comoveu e cativou homens de seu tempo e do nosso, pela mensagem evangélica que viveu. Amou o Cristo pobre e crucificado, viveu pelos caminhos do pobre, nas trilhas da extrema pobreza, e dois anos antes de morrer fora crucificado, não na cruz, mas no corpo e na alma.

Experimentou assim, o suplício doloroso do calvário, trazendo no corpo as marcas da crucifixão e na alma o mesmo amor que Cristo sentiu pela humanidade. Na vida, foi mensagem silenciosa de minoridade, de humildade, de submissão consciente. Os barulhos que o mundo fazia ao seu redor, com espadas, guerras e hipocrisia, abafaram seu testemunho, mas não impediu  que fosse ouvido por aqueles que sabem ouvir o silêncio.
De todos os sons e barulhos que aconteceram no caminho da cruz, o silêncio é o que mais incomoda, talvez pela certeza de que seja o único a falar algo importante e verdadeiro no momento.

Mateus Agostini Garcia
Secretário Fraterno Local

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